Luto

“Encontramos um lugar para o que perdemos. Mesmo sabendo que depois da perda a fase aguda do luto acalmará, também sabemos que permaneceremos inconsoláveis e que nunca encontraremos um substituto. Não importa o que preenche o vazio, até mesmo se o preenche completamente, sempre há algo mais“.

(E.L. Freud, 1961, p.386 cit in Worden, 2010)


Luto é sinónimo de dor, pena e aflição. É o sentimento que se tem pela morte de alguém. Segundo Bowlby (1980), “é o processo psicológico que se inicia devido à perda de uma pessoa amada”.

De acordo com a perspectiva familiar sistémica, a perda pode ser vista como um processo transaccional que envolve o falecido e os elementos da família num ciclo de vida comum, que reconhece tanto a finalidade da morte como a continuidade da vida (Walsh & McGoldrick, 1991).

A visão sistémica identifica diferentes aspectos no luto familiar (Tercero, 1998):

  1. Definição de luto familiar A perda ou ameaça de perda de um elemento da família é a maior crise que um sistema familiar atravessa, colocando a família à prova, pois só um sistema com recursos suficientes irá produzir uma mudança adaptativa, não colocando em risco a continuidade do mesmo.

  2. Reorganização familiar no luto Durante o luto, surge a necessidade da família reorganizar os seus sistemas comunicacionais, reorganizar as regras de funcionamento do sistema, redistribuir papéis e adaptar-se a uma nova realidade em que o falecido está ausente.

  3. Etapa do ciclo de vida Outra questão importante refere-se ao impacto da perda no ciclo de vida da família, variando de acordo com a etapa que a família atravessa. A morte faz parte do ciclo de vida, mas é vivida de forma diferente consoante a etapa em que a família se encontra. O luto coloca o desafio de aprender a viver com a perda e encontrar um novo sentido na existência.

4. Etapas do luto familiar

1.ª Estupefacção e choque

2.ª Tristeza e dor intensa

3.ª Negação e procura

4.ª Culpa/zanga

5.ª Depressão/solidão

6.ª Resolução

A última etapa é caracterizada pelos esforços que a família realiza para regressar à normalidade, podendo variar entre os doze e os dezoito meses. Quando o luto se prolonga por mais de vinte e quatro meses é habitualmente denominado de luto patológico.

As etapas são diferentes momentos que, por vezes, se sobrepõem. Nem todas as pessoas as atravessam segundo uma sequência rígida. Por vezes, variam de acordo com a situação que experienciam (e.g., doença de outro familiar, desemprego, divórcio, etc.), o tipo de morte (e.g., súbita ou lenta), a natureza da morte (e.g., ambígua, violenta, suicídio), a rede familiar e de suporte e a etapa do ciclo de vida em que se encontram. Variam também relativamente ao grau de relação com o falecido e podem desencadear sentimentos como culpa, angústia e revolta e ou desinteresse pela vida, baixa auto-estima, etc.


Margarida Oneto.

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