Infidelidade


«As pessoas são infiéis por inúmeras razões: amor contaminado, vingança, anseios por realizar, desejo puro e simples. Por vezes, uma relação extraconjugal é uma procura de intensidade, uma rebelião contra os limites impostos pelo casamento. A transgressão é um afrodisíaco e, por vezes, os segredos são uma fonte de autonomia, ou uma reacção violenta contra a falta de privacidade. O que pode ser mais excitante do que uma chamada telefónica murmurada na casa de banho? Por fim, a mãe atarefada e tensa pode voltar a sentir-se mulher; o seu amante não sabe nada acerca do Lego partido ou do canalizador que não apareceu pela segunda vez seguida.

Uma ligação ilícita pode ser catastrófica, mas também pode ser uma libertação, uma fonte de força, uma cura.


Frequentemente, é todas estas coisas ao mesmo tempo. Quando a intimidade desapareceu, quando deixámos de conversar, quando há anos que já não somos tocados, estamos mais vulneráveis à gentileza de estranhos. Quando as crianças são pequenas e dependentes, a apreciação extraconjugal pode ser sentida como um tónico. Quando já são mais crescidas e saíram de casa, quem fica no ninho vazio pode procurar substituí-las noutro lado. Se a saúde nos falta, ou se a morte há pouco nos visitou, podem assaltar-nos explosões de insatisfação, um grito por algo melhor. Algumas aventuras extraconjugais são actos de resistência; outras acontecem quando não oferecemos qualquer resistência. A infidelidade pode ser o toque a rebate em defesa de um casamento, o alerta para uma necessidade urgente de lhe prestar atenção. Ou pode ser o toque a finados após o último suspiro de uma relação».


(Esther Perel, 2006, Amor e Desejo na Relação Conjugal, p.187)


Margarida Oneto

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